domingo, 9 de janeiro de 2011

O caso Battisti e o golpe contra o Brasil

Vocês devem se lembrar de que o STF, ao julgar o caso Cesare Battisti -- ex-membro do grupo armado de esquerda Proletários Armados pelo Comunismo e condenado pela justiça italiana por assassinato --, deixou a decisão final a cargo de Lula. Para evitar as brigas intestinas que adviriam a sua decisão, Lula tomou-a em 31 de dezembro, último dia de seu governo, concedendo asilo político ao italiano.
No começo não entendi o gesto, convencida que fui, por Mino Carta, de que Cesare Battisti fora julgado por uma Justiça italiana irretocável e que era realmente responsável pelos assassinatos que lhe imputaram. Engano. Essas mortes, assim como a de Aldo Moro e muitas outras ocorridas na Itália daquela época (anos 1970) foram de responsabilidade da Operação Gladio, montada e executada por grupos de direita, fascistas, sob o beneplácito dos Estados europeus -- e, claro, do indefectível Estados Unidos, à época sob a influência do nazissionista Henry Kissinger -- para "limpar" a área a fim de que essa mesma direita não perdesse poder e privilégios, no contexto da guerra fria.
Punha-se a culpa em grupos de esquerda, como as Brigadas Vermelhas, e pronto: dois coelhos numa só cajadada. Além de "limpar" a área, ainda se satanizava a esquerda perante a opinião pública, que àquela época ainda acreditava nas notícias veiculadas pela mídia corporativa (PiG internacional).
Depois, li a transcrição de alguns trechos dos autos do processo de Cesare Battisti. Não há provas que sustentem sua condenação. Além disso, há testemunhas oculares afirmando não o terem visto nos locais dos crimes. Battisti, aliás, provou que não se encontrava presente em nenhuma das ocasiões. O que se tem, apenas e tão somente, é a acusação, feita no sistema de delação premiada, de dois ex-parceiros de Battisti, acusando-o de ser o assassino. Foi com base nessas declarações -- nada isentas, porque, para conseguir safar-se de condenações, os delatores premiados acusam até a mãe -- que Battisti foi julgado culpado e condenado pela "justiça" italiana.
Lula, que conhecia toda essa história -- que nós, pobres mortais, desconhecíamos porque a mídia PiG omite, desinformando-nos e manipulando nossa capacidade de análise e de crítica --, concedeu asilo político a Cesare Battisti. Foi o bastante para que Cesar Peluso, ministro do STF, mantivesse Battisti preso e decidisse que o STF (mais especificamente o polêmico Gilmar Mendes, relator do caso no Supremo Tribunal Federal) tem poder para julgar a decisão soberana de um presidente da república eleito por voto popular e chamasse para o Supremo a prerrogativa de decidir sobre uma decisão que o mesmo Supremo antes jogara no colo do presidente da república.
Paradoxo? Esquizofrenia? Estaria Peluso com falta de memória? Com Alzheimer?
Nada disso. Ele apenas obedece ao roteiro escrito pela direita internacional, incomodada com a projeção do Brasil no cenário mundial, com sua liderança no BRIC, no G-20 e sua vitória contra os EUA na Organização Mundial do Comércio, como denuncia o jornalista Rui Martins no artigo a seguir, originalmente publicado no portal Direto da Redação. Destaque-se que Rui mora em Berna, na Suíça, onde tem acesso a informações que não nos chegam e que, por isso, pode analisar melhor a conjuntura internacional.
Para complementar o artigo de Rui Martins, lembro a todos que, após o acordo Irã-Brasil-Turquia -- que impediu a eclosão de uma guerra nuclear a partir do Oriente Médio, comandada pelos sionistas de Israel e dos EUA --, foi divulgada a carta em que Barak Obama pede a Lula que consiga o acordo. Com a ascensão do movimento de direita Tea Party e a vitória dos republicanos nas últimas eleições ao Congresso estadunidense; com a crescente transformação dos EUA, pelo Congresso, num Estado fascista; com os sionistas na base de tudo isso, pois são eles que financiam as campanhas de  deputados e senadores estadunidenses e são eles que ocupam postos-chave em TODOS os governos dos EUA; conclui-se que Obama vem sendo lentamente "fritado" por esses setores da direita, incomodados pelo fato de ele ser negro. Um negro apadrinhado pelos judeus financistas, mas mesmo assim um negro -- cor que gente de direita, fascista, preconceituosa, não aceita nem em seus empregados... que dirá num presidente da delegacia de polícia (mais corrupta) do planeta.

Ao artigo, camaradas.

Já é um começo de golpe
por Rui Martins/Direto da Redação

Se você faz parte dos 87% que apoiavam o governo Lula, fique alerta – no mais escondido covil de serpentes e escorpiões trama-se um golpe institucional contra o governo de Dilma, mesmo se esse governo começou com 62% de aprovação popular.
Desta vez, ao contrário do golpe de 1964 não se trama nos quartéis com o apoio declarado dos Estados Unidos. A trama é bem mais sutil – não se acena com a paranóia do perigo vermelho, mas com base em pretensos arrazoados jurídicos se quer desmoralizar e desautorizar o ex-presidente Lula e se colocar no ridículo a presidenta Dilma, que será destituída do poder de decisão.
O golpe não parece financiado só por dólares americanos, como no passado, mas igualmente por euros vindos da Itália. Aparentemente trata-se da extradição ou não extradição de um antigo militante italiano, Cesare Battisti, condenado num processo italiano fajuto à prisão perpétua, mas a verdade submersa do iceberg é bem outra.
Quem leu as revelações do Wikileaks quanto as opiniões dos EUA sobre Lula, considerado suspeito, e Celso Amorim, considerado antiamericano, e que acompanhou a campanha contra a eleição de Dilma, sabe muito bem haver interesses de grupos internacionais em provocar uma crise institucional no Brasil.
Será também a maneira de grupos econômicos estrangeiros impedirem a atual emergência do país como potência mundial. A Itália neofascista de Berlusconi com seu desejo de recuperar um antigo militante esquerdista é apenas uma providencial pretexto para os grupos políticos e econômicos internacionais incomodados com o Brasil líder do G-20 e vitorioso contra os EUA na OMC.
O que se quer agora, com o caso Battisti, é subverter as instituições brasileiras, mergulhar-se o país numa confusão entre o poder do Executivo e o poder do Judiciário, anular-se uma decisão do ex-presidente Lula para se abrir o caminho a que  governança do Brasil seja sujeita à aprovação do STF. Para isso conta-se, como em 1964, com os vendilhões da nossa soberania e com os golpistas da grande imprensa.
Simples e prático, para se evitar que a presidente Dilma governe, vai se tentar lhe por um cabresto e toda decisão sua que desagrade grupos internacionais deverá ser anulada pelo STF. Por exemplo, a questão da exploração petrolífera do pré-sal poderá ser uma das próximas ações confiadas ao STF.
Se Dilma quiser renacionalizar as comunicações, já que a telefonia é questão estratégica, o STF poderá dizer Não e também optar pela privatização da Petrobras. Delírio? Não, os neoliberais inimigos de Lula e da política nacionalista, derrotados nas eleições, poderão subrepticiamente retirar, pouco a pouco, os poderes da presidenta e do Legislativo, para que fique apenas com o STF o governo ou o desgoverno do Brasil.
O próprio advogado de Cesare Battisti, acostumado com leis e recursos, nunca viu uma decisão presidencial ser posta em dúvida por um ministro do STF, e por isso falou em «golpe» tal como havíamos alertado.
Por sua vez, o atual governador do Rio Grande do Sul, que aceitou o pedido de refúgio de Battisti quando ministro da Justiça, não aguentou a decisão do ministro Cezar Peluso do STF de colocar em questão a validade da decisão do presidente Lula e declarou como «ilegal» e «ditatorial» o ato do ministro Peluso, do qual decorre um «prejuízo institucional grave» para o país e um «abalo à soberania nacional».
Faz dois anos, Tarso Genro concedeu refúgio a Battisti, que deveria estar em liberdade desde essa época. Mas o ato liberatório foi sustado pelo ministro Gilmar Mendes, que submeteu a questão ao STF, o que já consistia um ato arbitrário. Embora os ministros tenham decidido por 5 a 4 pela extradição, competia ao presidente a decisão final, o que foi reconhecido, depois de uma tentativa de reabertura do julgamento.
O presidente Lula, justificando seu ato, dentro do permitido pelo Tratado mútuo de Extradição entre Brasil e Itália, com base num documento da Advocacía Geral da União, negou a extradição e a própria Itália entendeu o ato como definitivo.
Ora, a decisão do ministro Cezar Peluso de pôr em dúvida a decisão do presidente Lula e reabrir a questão vai além de sua competência e fere uma decisão soberana.É tentativa ou já é golpe, no entender do advogado Luiz Roberto Barroso, é ilegal e ditatorial segundo o ex-ministro da Justiça Tarso Genro, opiniões que vão no mesmo sentido de Dalmo Dallari e de outros juristas. (grifo de Parallaksis Brasil)
O que iremos viver, quando o ministro Gilmar Mendes se dignar a colocar na agenda do STF o «julgamento da decisão do presidente Lula», se a maioria, por um voto que seja, decidir anular a decisão de Lula ? Será que a presidenta Dilma aceitará essa intromissão do STF no poder do Executivo? Em todo caso, será o caos.
É hora de reagir, antes que seja tarde demais.

Nenhum comentário:

Postar um comentário